Perigos Com SPDA

Preciso atualizar o SPDA do condomínio?

Em 1752 Benjamin Franklin realizou um grande avanço nos estudos sobre energia elétrica. Um de seus feitos mais famosos foi o experimento com a pipa ligada a um fio metálico que conduzia as descargas atmosféricas ao solo. Por mais surpreendente que seja, esse experimento foi um passo significante em direção aos modernos sistemas de SPDA de condomínios que existem atualmente. Esses sistemas são de suma importância pois são responsáveis por proteger tanto o imóvel quanto os aparelhos eletrodomésticos que existem dentro dele.

Mas o que é SPDA? O sistema de proteção contra descargas atmosféricas é popularmente conhecido como “para-raios” e é basicamente responsável por conduzir as descargas atmosféricas -raios- até o solo de forma a neutralizá-los; sem causar danos a construção ou aos moradores. No nosso blog, possuímos outro artigo que explica de forma mais detalhada como funciona o SPDA e alguns de seus benefícios. A falta ou desatualização do SPDA do condomínio pode levar a multas para o Síndico ou, em casos mais graves, pode gerar  riscos a vida dos condôminos.

Em maio de 2015 foi publicada uma atualização da NBR 5419, norma que rege os parâmetros para SPDA, e então surge o questionamento a respeito do que foi atualizado e, principalmente, se as novas informações são tão relevantes a ponto de ser necessária uma modernização do SPDA do condomínio. Neste artigo será descrito como as principais mudanças da norma afetam o seu condomínio e o que é necessário alterar em sistemas ultrapassados. Além disso, será explicado o conceito de manutenção e inspeção/ vistoria do SPDA e a sua importância.

Apesar de a nova norma anular as normas anteriores, caso o condomínio esteja sofrendo um processo por esta desatualizado é possível, a partir da lei do direito adquirido  e o acompanhamento de um advogado, que esse processo seja anulado, para que se evite a multa. Entretanto, depois que essa situação for evitada é extremamente recomendado que o SPDA seja atualizado, pois a NBR-5419/2015  foi pensada para trazer o máximo de segurança para o imóvel.

Por fim, vale ressaltar que caso esteja buscando esse conhecimento para construir seu próprio imóvel, existem outros artigos no nosso blog que podem ser de grande ajuda.

Atualizações Segundo a Nova NBR 5419

A nova lei trouxe basicamente cinco mudanças para o SPDA do condomínio:

1) Instalação do DPS (dispositivo de proteção contra surtos)

Mas o que são esses surtos? dizemos que ocorre um surto elétrico quando há uma grande variação na tensão em um espaço de tempo muito curto. Tal perturbação se propaga no sistema e pode causar grandes danos ao equipamento, como por exemplo a diminuição da vida útil do equipamento ou o desgaste de componentes. Essa situação está diretamente relacionada à descargas atmosféricas que não foram neutralizadas de forma correta. A função do dispositivo de proteção é justamente perceber a presença dessas sobretensões e conduzi-las para o sistema de aterramento do SPDA do condomínio.

Existem 3 classes de DPS: a Classe 1 é responsável por lidar com descarga direta de um raio que cai na edificação; a Classe 2 é responsável por lidar com as descargas que ocorrem nas proximidades e geram um campo eletromagnético e a Classe 3 é responsável por proteger equipamentos que ficam ligados a rede elétrica da rua, rede telefônica ou a rede de dados.

É importante ressaltar que esse equipamento é de baixo custo e fácil instalação e pode fazer uma grande diferença em relação a proteção dos moradores e do condomínio.

2) Ocorreram também diversas mudanças em relação a estrutura do próprio sistema nos dois tipos de modelos de SPDA comumente usados em condomínios

Observação: Caso não esteja familiarizado com esses termos recomendo que visite nosso outro artigo que os explica.

No modelo de Franklin ou método do ângulo de proteção, constituído basicamente por hastes metálicas pontiagudas localizadas no topo do prédio, houve uma mudança em relação à angulação dos captores que, segundo a norma de 2005 tinham um valor fixo para uma certa faixa de alturas do captor  e na nova norma há um valor determinado de angulação para cada altura.

Já no modelo de Faraday ou método das malhas, que consiste na distribuição de diversos pontos receptores no alto do prédio,  houve uma alteração no distanciamento entre esses pontos de forma que eles precisam ficar mais próximos e em um formato semelhante ao de um quadrado.

As armaduras de concreto também precisam ser revisadas pois segundo a nova lei precisam ter uma resistência elétrica inferior a 0,2 Ω, limite muito inferior ao da antiga lei. houve também uma mudança em relação a configuração de aterramento, foi retirado o arranjo composto por eletrodos radiais (verticais, horizontais ou inclinados) sendo sendo aceito apenas o arranjo composto por eletrodos em anel ou embutidos nas fundações da estrutura.

SPDA Modelo Faraday

3) Para edifícios com mais de 60m é necessário que o sistema de captação seja instalado também na fachada do prédio, cobrindo pelo menos 20% da sua altura (no caso de um prédio de 60 metros, seriam 12 metros de fachada protegidos)

4) A norma de 2015 adicionou um novo item para garantir que o SPDA do condomínio proteja também os equipamentos eletrônicos.

Nesta parte há informações sobre as medidas de proteção contra surtos (MPS’s) para reduzir os riscos de dano permanente à sistemas eletroeletrônicos existentes nas estrutura, que são estabelecidas de acordo com o tipo de estabelecimento, número de pessoas e tempo de permanência no local. Dentro das MPSs básicas constam Aterramento e equipotencialização, Blindagem magnética e roteamento das linhas, Coordenação de DPS e Interfaces isolantes

5) É exigido atualmente uma vistoria visual semestral no SPDA do condomínio (antes realizada anualmente).

Segundo o engenheiro eletricista e gerente da Termotécnica Para Raios, José Barbosa de Oliveira, a parte 3 da Nova NBR 5419, que é uma das que mais impactam o SPDA do condomínio, será a maior eficiência dos subsistemas de captação, descida e aterramento.

Inspeção do SPDA

O serviço de inspeção deve ser prestada por um profissional especializado e habilitado do CREA ou do CAU e é exigido junto aos projetos e laudos a anotação de responsabilidade técnica (ART). O SPDA em si não tem validade, porém são necessárias inspeções para verificar se os equipamentos ainda estão em bom funcionamento e são capazes de cumprir as suas funções. É também necessário verificar no caso de uma expansão do imóvel ou instalação de novas tubulações metálicas, se o SPDA ainda está em acordo com a norma.

Por isso, é necessária a inspeção visual dos componentes, observando as conexões e fiações, certificando-se de que estão firmes e livres de corrosão e oxidação a cada 6 meses e uma inspeção periódica anual ou a cada 3 anos, dependendo do local. Além disso, após a incidência direta de uma descarga atmosférica na estrutura o sistema deverá ser verificado assim que a chuva passar, independentemente do tempo da última revisão.

Após a inspeção, o profissional gera um laudo a partir de uma avaliação técnica sugerindo possíveis adequações e manutenções. Se o equipamento estiver de acordo com as normas é emitido um Laudo Técnico de Conformidade e uma ART.

Durante a inspeção visual é necessário observar as hastes e se seus isoladores estão fixados, se a luz piloto do mastro está funcionando e se a caixa d’água está aterrada. Durante a inspeção periódica, é importante checar  a condição dos captores, dos condutores de descida e conexões,  das equipotencializações e  dos eletrodos de aterramento.

Caso após uma inspeção tenha sido observada alguma irregularidade o responsável emite um relatório técnico indicando as mudanças necessárias que podem ser imediatas ou apenas um item de manutenção preventiva.

Riscos de um SPDA Desatualizado

Não ter um SPDA atualizado no condomínio pode levar a prejuízos que gere um custo mais significativos que as vistorias semestrais e os ajustes necessários. Como consequências de um SPDA desatualizado ou sem manutenção temos:

  • O risco de choques e em casos mais graves a morte, caso o condômino esteja na cobertura ou mexendo em eletrodomésticos no instante da descarga;
  • Temos também, como já foi mencionado, a queima de aparelhos eletrodomésticos;
  • A seguradora pode se recusar a pagar a reforma caso seja comprovada a irregularidade do SPDA do condomínio;
  • Dependendo da intensidade do raio, uma parte da estrutura poderia ser derrubada.

Um outro ponto muito importante é que o síndico poderia ser responsabilizado civil e criminalmente se sua negligência em executar a manutenção for comprovada.

Se interessou pelo o artigo e acha que seu condomínio precisa de uma atualização? entre em contato conosco!

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