Indústria Offshore

Segurança na Indústria Offshore: Veja 6 atividades regulamentadas

A segurança na indústria Offshore

A indústria Offshore é um ramo de trabalho muito complexo, devido às suas limitações logísticas, às diferentes situações e condições de trabalho, a existência de processos muito técnicos e a necessidade de constante monitoramento de operações e equipamentos, dentre outros fatores.

Historicamente, o nosso país vem crescendo como produtor de petróleo no mercado mundial. Atualmente, o Brasil tem condição de se sustentar com sua produção porém, devido a questões de infraestrutura, não é possível refinar todo o óleo que se produz, fazendo com que ainda seja necessário importar combustível.

Esse aumento da produção nacional, contudo, deu-se pelo desenvolvimento de tecnologias. Estas geram um aumento de reservas provadas, ou seja, reservas que já tem seu volume de óleo conhecido e estão aptas a serem exploradas. Para que essas reservas pudessem ser exploradas, realizou-se um grande aumento da quantidade de plataformas exploradoras atuantes.

Na indústria Offshore existem muitos fatores que influenciam nos processos de exploração. Entre eles, está a segurança do processo como um todo. Este artigo é voltado para a segurança de processos no segmento Upstream, englobando assuntos relacionados com a segurança de máquinas e equipamentos nas plataformas Offshore, mais precisamente na regulamentação dessas.

Processo de gerenciamento das atividades de segurança

Enquanto a produção do petróleo aumentou substancialmente, questões como logística e segurança em todos os momentos da exploração não acompanharam esse desenvolvimento. Atualmente, a segurança de máquinas e equipamentos nas plataformas Off Shore é negligenciada por muitas empresas. Muitos casos de acidentes com colaboradores que trabalham nessas plataformas são causados por esse fato. Segundo o relatório anual de segurança da ANP (Agência Nacional do Petróleo), mais de 60% das plataformas exploradoras foram multadas por negligência operacional.

indústria offshore tabela de segurança operacional

Para evitar tais acidentes, normas de segurança operacionais são regulamentadas pelo governo federal e supervisionadas pela ANP, que tem sede no Distrito federal e escritórios centrais no Rio de Janeiro.

Em 2007, foi criado o SGSO (Sistema de gerenciamento de segurança operacional) e, a partir desse evento, tornou-se obrigatório nos contratos de concessão para a exploração de reservatórios.

Após o início das operações, as práticas das regras previstas no regulamento cabem às empresas operadoras do campo e cabe a ANP a supervisão dessas práticas de segurança.

Como essa supervisão é feita na Indústria Offshore?

Após o início do processo exploratório, a agência tem livre acesso ao local do campo concedido. Nas rodadas licitatórias, a ANP tem acesso a todos os dados técnicos do processo disponíveis, a partir de auditorias a bordo de plataformas e análise desses dados, e verifica se as práticas de gestão de segurança obrigatória nas instalações de perfuração, produção, armazenamento e transferência estão sendo realizadas corretamente. Caso os quesitos avaliados nas auditorias não estejam de acordo com o SGSO, as empresas exploradoras são penalizadas com multas e têm o dever se solucionar a pendência em um prazo definido pela ANP.

A prioridade de inspeção de boas práticas é definida a partir de variáveis como: complexidade da planta de processo, lâmina d’água, idade da instalação, histórico de incidentes, inspeções e auditorias anteriores.

O SGSO

O SGSO, como dito acima, é um regulamento que engloba todas as atividades operacionais durante a exploração de petróleo: a perfuração de poços, a completação e restauração de poços, a produção de petróleo e gás natural, o processamento primário de petróleo, o armazenamento e transferência de petróleo e do gás natural.

Como supracitado, o regulamento está presente desde a assinatura do contrato. A partir disso, todo o percurso exploratório é regulamentado por essa norma. Dessa forma, as atividades nos campos exploratórios apenas deixam de serem regulamentadas pelo SGSO no momento de desativação. Essa etapa geralmente ocorre quando a receita da atividade exploratória não corresponde mais ao perfil da empresa operadora e o campo é devolvido à ANP. A agência geralmente oferta em rodadas licitatórias posteriores como campos marginais, sendo concedidos a empresas menores.

Tal regulamento, todavia, não abrange todas as instalações na área de produção de petróleo, excluindo:

  • Instalações marítimas de perfuração e produção em trânsito bem como às instalações fora de operação autorizada pela ANP;
  • Instalações terrestres de perfuração e produção;
  • Dutos;

Atividades regulamentadas pelo SGSO

1 – Perfuração de Poços

O primeiro item citado foi a perfuração de poços. Essa atividade ocorre, geralmente, antes do processo exploratório começar. Esta se resume em efetivamente perfurar poços que inicialmente são exploratórios, ou seja, poços para estudar a bacia e modelar o reservatório. Após tal momento, esses poços tornam-se produtivos, sendo de fato o poço por onde o petróleo é recuperado.

2 – Completação de Poços

A atividade de completação de um poço é essencialmente a transformação de um poço exploratório em um poço produtivo. Essa transformação é muito importante na indústria Offshore e ocorre com a inserção de máquinas, equipamentos exploratórios e equipamentos de monitoramento do reservatório. Esse evento ocorre logo após a cimentação do poço. Um dos principais elementos de completação é o Tubing: ao longo dele são colocados elementos de segurança como a SC-SSSV (válvula de segurança).

3 – Produção

A produção de petróleo e gás natural é efetivamente o processo de produção. A ANP também regula como o processo produtivo se desdobra e a regulamentação desse item se dá tanto com a supervisão do processo quanto com auditorias em máquinas, mecanismos e estruturas para avaliar se estão de acordo com as normas de segurança propostas pela Agência.

4 – Restauração de Poços

A restauração de um poço é o processo de tentar restabelecer o fluxo original do poço. Os reservatórios de petróleo têm três tipos de força-motriz (expulsão de óleo) inicial: Gás associado, capas de gás e aquíferos gigantes.

Os aquíferos, localizados abaixo do reservatório, apresentam volume dez vezes maior que o volume de óleo no reservatório. A diferença de viscosidade, pressão e volume desses componentes do reservatório, aliados a tensão causada pela camada de rocha acima do reservatório, formam a força-motriz primária de recuperação do poço. O processo de restauração, por meio de técnicas especializadas, consiste em tentar atingir essas condições iniciais da força-motriz de produção, após o início do processo exploratório.

5 – Processsamento Primário

O processamento primário ocorre nas plataformas de petróleo. Esse processo é basicamente uma separação dos hidrocarbonetos em suas classes. Em outras palavras, quando o petróleo é recuperado, passa por uma torre destiladora que separa as frações desde as mais leves até as mais pesadas.

6 – Armazenamento e Transferência

O Armazenamento e transferência de petróleo é regulamentado principalmente em plataformas Offshore, devido aos complexos e custosos sistemas logísticos de transporte de carga e alto volume de produção. As plataformas armazenam o petróleo extraído até que o volume atinja a capacidade de estocagem e após isso escoam para terra, geralmente por meio de navios.

Como as normas e métodos de transferência de gás natural são diferentes, esses itens tem outro processo da análise. As causas desses processos ocorrerem, porém, são as mesmas do óleo. Um exemplo de como o GN pode ser transportado é o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP). O gás nesse estado está submetido a pressões maiores que a atmosférica. Como consequência disso, esse se liquefaz e é armazenado em recipientes de aço para ser devidamente transportado.

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Gabriel Sant'Anna

Graduando em Engenharia de Petróleo, atualmente trabalha como Consultor de Projetos no setor de mecânica, materiais, metalúrgica, naval, nuclear e petróleo. Atualmente está executando um projeto de viabilidade técnica.

This Post Has 2 Comments

    1. Boa Noite Gil,

      A segurança na cabeça de poços é feita por equipamentos de segurança na cabeça do poço. Os ESCP’s e outros equipamentos complementares que fecham o fluxo do poço, sendo o BOP (Blow out preventer) o mais importante. Estes são instalados no momento de completação dos poços. Nesse link tem mais informações dobre esses equipamentos.

      Até Breve!

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