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Água De Reuso: O Que A Lei Diz E Você Precisa Saber

Água de reuso: o que a lei diz e você precisa saber

 

Descubra o que realmente é água de reuso

Antes de falarmos sobre os detalhes legislativos, precisamos esclarecer o conceito de água de reuso. Segundo a Resolução nº 54/2005 do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) a água de reuso é a “água residuária, que se encontra dentro dos padrões exigidos para sua utilização nas modalidades pretendidas”.

O significado prático dessa definição é entender que a água de reuso é produzida a partir do tratamento de resíduos aquosos de determinados processos. Além disso, existem diferentes tipos de água de reuso, com normas e parâmetros específicos para cada um deles.

Visto isso, é necessário abordar quais as diferenças adotadas pela legislação na reutilização de água planejada (com tratamento de efluentes):

Reuso indireto planejado

Esse tipo de reuso tem por objetivo apenas tratar o efluente para descarregá-lo nos corpos hídricos superficiais ou subterrâneos. Ou seja, a água de reuso produzida não será utilizada pelo mesmo indivíduo que investiu neste tratamento.

Reuso direto planejado (Reuso Local)

Em oposição ao anterior, esse tipo de reuso tem a finalidade de utilizar diretamente o efluente aquoso tratado, sem descarregá-lo na natureza. Portanto, é o ideal para aqueles que buscam diminuir os gastos financeiros com água ao mesmo tempo em que se preocupam com o meio ambiente.

Aplicações da água de reuso

A principal legislação referente ao reuso de água é a Norma ABNT NBR 13969/97. Ela aborda o tratamento de resíduos aquosos sob diversos aspectos, e um desses é o local de utilização da água de reuso. Mas antes de explicitar as possibilidades, é preciso ressaltar que a água de reuso não é água potável, e, portanto, não pode ser utilizada para consumo humano ou irrigação de hortas, pois possui qualidade inferior – apesar de ser tratada. O seu uso é permitido para algumas plantações, como arroz, trigo e café, mas é preciso cessar a irrigação 10 dias antes da colheita.

Sem mais delongas, as possibilidades mais comuns de utilização da água de reuso – de acordo com a lei – são:

  • Lavagem de carros (classe 1)
  • Lavagem de pisos e calçadas (classe 2)
  • Irrigação de jardins (classe 2)
  • Manutenção paisagística de lagos (classe 2)
  • Reuso em vasos sanitários (classe 3)
  • Reuso em alguns cultivos ou pastagens (classe 4)

Essas “classes” se referem ao grau de qualidade necessário à água de reuso, sendo “classe 1” o grau máximo de qualidade exigido e “classe 4” o grau mínimo, ambas estipuladas pela mesma NBR 13969/97.

O que explica essa divisão são as chances de contato do ser humano com a água que foi tratada, de modo que quanto maior o contato, maior será o nível de qualidade exigido por lei. Na lavagem de carro por exemplo, estamos em contato direto com a água, podendo inspirar suas partículas e patógenos.

Para facilitar seu entendimento, as etapas gerais de tratamento de um efluente e os parâmetros de qualidade adotados pela legislação estão explicados no nosso artigo “O que são efluentes e por que é essencial tratá-los?”

Quantificação do volume a ser tratado

Para estar dentro dos conformes da lei é preciso, além de tratar o efluente e definir onde ele será utilizado, estimar qual será o volume de esgoto a ser tratado. Ou seja, devemos saber qual o volume de água de reuso pretendemos produzir.

Por exemplo, supomos que João – um personagem fictício – é síndico de um condomínio e deseja tratar os efluentes para reutilizar nos vasos sanitários dos banheiros de acesso comum. Então, João deve estimar qual o consumo de água por descarga e qual a periodicidade do uso deste vaso sanitário.

Uma situação hipotética seria:
8 descargas diárias, utilizando o vaso sanitário 30 dias por mês, com consumo médio de 20 litros por descarga. Ou seja, 8 x 30 x 20 = 4800 litros de água de reuso precisam ser produzidos, neste caso.

Armazenamento e distribuição da água de reuso

Ainda, outro aspecto abordado pela legislação são os sistemas de reservação e distribuição da água de reuso. Ora, ao tratarmos os efluentes para posteriormente utilizá-los precisamos de um local de armazenamento, que deve possuir:

  • placas de advertência nos locais estratégicos e nas torneiras
  • emprego de cores nas tubulações e nos tanques de reservação distintas das de água potável

Observação: Quando houver mais de um tipo de água de reuso (com classes distintas), é preciso reservar em recipientes diferentes, com identificação de fácil entendimento que contenha informações sobre o grau de qualidade da água tratada nos reservatórios e nos sistemas de distribuição (tubulações).

água de reuso
Exemplo de sistema de Água de Reuso

Testes de qualidade

Geralmente, a produção da água de reuso é feita a partir de uma extensão ou modificação de alguma ETE – Estação de Tratamento de Esgoto – com um investimento adicional não muito elevado.

Portanto, para garantir a segurança de todo esse processo, é preciso – durante a fase inicial – coletar amostras quinzenalmente para realizar Análises Laboratoriais, a fim de assegurar a eficiência do tratamento que está sendo feito e de evitar a propagação de doenças com o reuso de água contaminada. Após a estabilização do processo, as análises podem ser feitas trimestralmente.

O que acontece de fato é que esses testes irão provar se a água de reuso está dentro dos parâmetros estabelecidos pela lei, de acordo com as classes que abordamos acima (1, 2, 3 e 4).

Observação: estas análises devem ser feitas por profissionais da área.

Cuidados que devem ser tomados

Além dos testes laboratoriais para garantir a qualidade da água de reuso, é preciso verificar também se o processo de tratamento não está impactando negativamente o meio ambiente.

Esta avaliação é feita mais rigorosamente em áreas próximas a mananciais – fontes de água utilizadas para abastecimento público (ex.: rios, lagos e lençóis freáticos). Logo, também é preciso prevenir a existência de vazamentos ou infiltrações em todo o processo.

Designação de responsáveis

Você deve estar se perguntando quem irá tomar conta desse sistema inteiro, e a legislação também informa sobre isso. É necessário, principalmente em condomínios residenciais e comerciais, designar um responsável pela operação e monitoramento do sistema de produção de água de reuso a partir do esgoto.

Para tanto, o responsável pelo planejamento do sistema deve disponibilizar manuais e treinamentos, contendo figuras, especificações técnicas e procedimentos para operação correta.

Visto todas essas exigências, o reuso de água parece um pouquinho difícil. Mas não se preocupe, nós temos uma equipe preparada que fará parecer bem simples!! E aí, está pronto para diminuir seus gastos e contribuir para a preservação do meio ambiente?! Dê o primeiro passo e fale conosco!

 

This Post Has 2 Comments
  1. Olá, sou engenheiro civil e assessor de um condomínio que estava usando um sistema de água de reuso que foi adaptado pela gestão anterior no sistema de drenagem da Piscinha de coleta de água pluvial. Não tinha nenhum parâmetro, controle e sentido continuar com esse sistema atual pois estava prejudicando o sistema de drenagem pra que o sistema foi projetado. Voltamos a operar com o sistema como o projeto determina. Porém, o condomínio tem interesse em ter esse sistema de água de reuso instalado e gostaria de saber como podemos iniciar um projeto de consultoria sobre assunto. Obrigado!!!

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