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Por Que O Acidente De Chernobyl Não Aconteceria No Brasil?

Por que o acidente de Chernobyl não aconteceria no Brasil?

A série Chernobyl, coprodução da HBO com o canal britânico Sky, reacendeu o debate sobre o uso da energia nuclear e os riscos inerentes a ela. Muitas pessoas não se sentem seguras com o uso de reatores nucleares devido ao medo de que eventos como o acidente de Chernobyl aconteçam por aqui. Entretanto, existem diversos fatores que diferenciam as usinas de Angra e a usina soviética, tornando a operação brasileira mais segura.

Veja abaixo 4 destes fatores e  entenda porque o acidente de Chernobyl não aconteceria por aqui:

acidente de chernobyl

Momento Histórico e Propósito do Reator

O acidente de Chernobyl ocorreu no dia 26 de abril de 1986. Nessa época, o mundo estava dividido pela Guerra Fria e as principais potências mundiais, Estados Unidos e União Soviética, disputavam uma corrida armamentista. Uma das frentes dessa disputa eram as bombas nucleares.

Por isso, muitos dos reatores soviéticos eram utilizados para a produção de plutônio e para realização de testes nucleares. Além disso, o projeto e construção dos reatores eram feitos de forma acelerada, visando a obtenção rápida de resultados e, consequentemente, da soberania mundial. Isso culminou em diversas falhas de projeto que contribuíram para o acidente de Chernobyl.

no Brasil os reatores foram projetados e construídos em parceria com grandes empresas do setor nuclear. A construção foi feita respeitando todas as normas da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA). Ademais, o Brasil faz parte do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, que objetiva viabilizar o uso pacífico da energia nuclear.

Diferença entre os tipos de reatores

Um reator nuclear é composto pelo combustível nuclear, o refrigerante, os elementos de controle e o moderador. O combustível nuclear é o material físsil. O refrigerante controla a temperatura no núcleo do reator. Os elementos de controle absorvem nêutrons para controlar a reação em cadeia e o moderador desacelera os nêutrons para que a reação ocorra. .

O reator utilizado em Chernobyl era do tipo RBMK. Esse tipo de reator utiliza o grafite como moderador. No momento do acidente, a temperatura do grafite aumentou significativamente e ele se incendiou. Dado o ocorrido, foram jogadas  plumas de material radioativo para o ambiente.

Somado a isso, temos o reator que continha diversas falhas de projeto que culminaram na explosão do telhado da estrutura. A principal falha estava relacionada à fração de vazio no reator. Ela fez com que o aumento da temperatura gerasse muito vapor, alimentando ainda mais a reação em cadeia. Quando os elementos de controle foram inseridos, a pressão do vapor aumentou consideravelmente, gerando uma explosão.

Já as usinas de Angra 1 e 2 utilizam reatores do tipo PWR, que usam água como moderador. Esse tipo de reator tem mecanismos de segurança inerentes ao projeto. O aumento da temperatura do reator, nesse caso, altera a interação dos nêutrons com o moderador, de modo que a reação em cadeia diminui, assim como a temperatura. Além disso, a água não se incendeia, o que diminui consideravelmente a probabilidade de vazamento.

acidente de chernobyl

Xenônio: O Veneno do Reator

Um dos principais produtos da reação de fissão nuclear é o xenônio-135. Além disso, um outro produto da fissão, o iodo-135, decai radioativamente e se torna xenônio-135. Este elemento é um grande absorvedor de nêutrons, o que pode comprometer a reação em cadeia. 

Para evitar que isso aconteça, basta manter a operação em uma potência alta o suficiente para que o xenônio-135 se transforme em xenônio-136 devido a absorção dos nêutrons da reação em cadeia.

Entretanto, em caso de baixa de potência, é necessário desligar o reator e esperar alguns dias para a reativação. Feito isso, o xenônio-135 pode decair e a reação em cadeia voltar a se estabilizar. 

No acidente de Chernobyl, a potência foi drasticamente reduzida para a realização de testes. Consequentemente, a concentração de xenônio-135 aumentou exponencialmente pelo decaimento do iodo e a potência caiu ainda mais.

Os operadores ignoraram as altas concentrações de xenônio no interior do reator e tentaram aumentar a potência. Para isso, retiraram os elementos de controle quase que por completo. Quando parte do xenônio decaiu, a reação voltou a ocorrer e a potência aumentou de forma descontrolada devido à ausência de elementos de controle. Alcançou-se 100 vezes a potência nominal.

Nas usinas de Angra 1 e 2, a concentração de xenônio-135 é monitorada em tempo real para que se mantenham dentro dos limites de segurança. Além disso, sempre que o reator é desligado, é respeitado o tempo necessário para que o xenônio decaia. Dessa forma,  a operação pode ser reiniciada de forma segura.

Redundâncias de Segurança e Operação

Além de ignorarem as concentrações de xenônio no interior do reator, os operadores desrespeitaram outras normas de segurança, culminando no acidente de Chernobyl. Na fase de testes quase toda a operação foi feita de maneira manual, abrindo brechas para falhas humanas.

A fim de que o teste fosse realizado, o sistema de refrigeração foi desconectado e permaneceu assim por 9 horas.Esse intervalo de tempo é muito acima do permitido. Além do mais, todas as bombas foram ligadas simultaneamente, o que é proibido devido às vibrações que causam no sistema. Essas bombas também aumentaram o volume de água no sistema, disparando diversos alarmes que foram ignorados.

Em Angra 1 e 2, a operação é feita de maneira automatizada, com Controladores Lógicos Programáveis (CLP’s) e Sistemas Supervisórios. O desligamento do reator é feito de forma automática sempre que alguma variável sai dos valores aceitáveis de operação. Ademais  operador tem acesso a diversas medidas e dados sobre a operação em tempo real, garantindo a segurança na operação.

Veja os benefícios da automação industrial!

Juntamente com uma operação mais segura, as usinas de Angra contam com uma estrutura física mais robusta que a estrutura de Chernobyl. Os reatores são envoltos por uma camada interna de aço e contam ainda com uma camada externa de 70 cm de concreto. Por fim, , toda a população numa área de 3 km ao redor recebe treinamentos periódicos para uma eventual evacuação.

Agora você já sabe que o acidente de Chernobyl não vai se repetir por aqui. Pode dormir tranquilo! Qualquer dúvida deixe um comentário ou entre em contato!

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