Com a assinatura do Protocolo de Kyoto em 1997 e, posteriormente, com a implementação do Acordo de Paris, a pauta da emissão de carbono e caminhos para sua redução se tornaram cada vez mais frequentes. Desde debates estudantis a discussões no cenário político e de empresas de diferentes portes, o assunto se torna mais recorrente devido a, dentre alguns motivos, essa emissão ser resultado de diversas atividades que estão presentes no cotidiano das pessoas.
Quando se pensa em emissões de gases poluentes na atmosfera, na maioria das vezes automaticamente somos direcionados a imagens dos canos de escape dos carros e também a chaminés de grandes pólos industriais. Contudo, a liberação de poluentes também acontece de forma menos explícita que esses casos.


Gases como CO2, CH4, N2O, O3, CFCs e vapor d’água podem ser conhecidos como GEEs: Gases de Efeito Estufa. São eles os principais responsáveis pelo aumento do impacto que a Terra sofre devido a este fenômeno.
O conceito de carbono equivalente tem a função de permitir a contabilização dos poluentes de forma mais universal, facilitando a comparação entre os gases. É, portanto, uma maneira de permitir a comparação da emissão de carbono que cada um dos gases foi responsável tendo um mesmo referencial. Sendo assim, ao longo deste artigo veremos quais circunstâncias, atividades e serviços contribuem para essa realidade.
Criação de gado
Bois, vacas e animais ruminantes no geral possuem no seu aparelho digestivo bactérias que no processo de degradação dos alimentos liberam o gás metano no rúmen (um dos quatro estômagos dos ruminantes). Após certa acumulação deste gás, ele é liberado pela boca do animal, numa espécie de arroto.
Segundo texto publicado pela Embrapa, é estimado que a população mundial cresça cerca de 34% até 2050, o que deve resultar num aumento de até 100% na demanda por carne. Uma vez que o metano é responsável por aproximadamente 20% do efeito estufa, conforme dados da Cetesb, e que uma das principais fontes de emissão de CH4 são os ruminantes, tal relação exige cuidado e atenção por se tratar de grandes contribuições na emissão de carbono equivalente.

Desmatamentos e queimadas
A fotossíntese é o processo responsável pela sintetização de glicose que dá energia para o crescimento e a sobrevivência das plantas. Para esse resultado, os vegetais utilizam o gás carbônico como insumo e devolvem à atmosfera o gás oxigênio. Portanto, a flora serve como um filtro natural para esse tipo de poluente.
Com a destruição de ecossistemas que contém seres autotróficos, a limpeza atmosférica que os mesmos poderiam fazer é reduzida ou até mesmo interrompida por completo. Dessa forma, menos CO2 são convertidos em O2. Por esse motivo, o recurso para compensação de carbono mais conhecido e utilizado é o plantio de mudas, pois as árvores farão a recuperação da emissão de carbono realizada.

A emissão de CO2 também acontece devido a queima de combustíveis fósseis – como carvão mineral, petróleo, gás natural -, que ocorre para geração de energia.
Aparelhos eletrodomésticos e desodorantes
Tendo sido usados como propelentes de aerossóis como desodorantes e inseticidas, fluidos para refrigeração de aparelhos como geladeiras e ar-condicionado além da participação na produção de espumas, os clorofluorcarbonetos (CFCs) são um conjunto de gases bastante agressivo à camada de ozônio.
Durante a década de 1970, época na qual o uso do gás era mais intenso, seu poder devastador não era tão conhecido. Com o passar dos anos porém foi sendo notado que além de contribuir para o aceleramento do aquecimento global, o uso exacerbado desses gases ofereciam riscos por facilitar o aparecimento de buracos na camada de ozônio que rompiam a proteção contra raios UV-B (nocivos) que a Terra tem.
Vendo a redução na camada de ozônio, a comunidade científica buscou adotar medidas para frear e reverter esse quadro. Dessa forma, foi assinado em 1987 o Protocolo de Montreal que definiu caminhos para a redução no uso das substâncias. No Brasil, o Ministério da Saúde estipulou no ano seguinte medidas nacionais que impedissem o uso dos CFCs nos desodorantes, corroborando com a meta da preocupação mundial.
Felizmente, a substância está sendo substituída por outras que alcançam resultados parecidos ao redor do mundo. Por outro lado, em 2018, a Organização Meteorológica Mundial divulgou em seu relatório anual que as taxas de redução do gás estão caindo, o que indica o retorno da aplicação do mesmo. Portanto este deve ser um ponto de atenção dos governantes, dos órgãos responsáveis e de nós, população, estando atentos às notícias sobre o assunto.

Fertilizantes e o setor agrícola
Sendo comumente encontrado em fertilizantes e adubos e, portanto, muito utilizado na agricultura, o óxido nitroso (N2O) é liberado no solo devido ao processo do ciclo do Nitrogênio que a planta está submetida. O gás que tem participação estimada em 6% para com as emissões de carbono equivalente e consequentemente o Efeito Estufa, torna-se um ponto ainda mais alarmante se considerarmos as monoculturas que costumam demandar grandes quantidades desses químicos.
De acordo com uma reportagem da Revista Globo Rural o uso da adubação nitrogenada tem enormes impactos sobre as emissões de carbono na cafeicultura. Conforme levantamento feito pela plataforma, uma faixa entre 50% e 78% das emissões desses cafezais provém apenas da utilização de fertilizantes hidrogenados no plantio, enquanto apenas 1% ou 2% das emissões tinham origem na eletricidade, por exemplo.
Apesar dos números significativos, outros setores agrícolas podem apresentar impactos de 3 a 4 vezes maiores do que os notados na área de estudo da reportagem (o Cerrado, a Zona da Mata e o Sul mineiro). Por outro lado, a adoção de processos diferentes para o tratamento do solo – como o uso de produtos que inibem a liberação de N2O – pode contribuir para a diminuição do impacto poluente que este setor tão relevante para a economia brasileira é responsável.

Foi usado o estado de MG para o estudo pois ele contém ⅔ da produção de café do país.
Usinas termelétricas
Por meio do processo de combustão, as usinas termelétricas convertem a energia química presente nos combustíveis em energia térmica que, por sua vez, transformam esse calor em eletricidade.
Pelo processo inicial da queima de combustíveis, é emitido o CO2, principal GEE. Outro gás resultante dessas usinas são os óxidos de nitrogênio (NOx) – também emitidos por veículos e em queimadas – que, sob estímulo da luz solar, contribuem para a formação do ozônio.
Evaporação d’água
O vapor d’água, um gás tão próximo do dia a dia das pessoas e com aparência de inofensivo, é um GEE. Isso se dá devido a um processo habitual e natural que segue do princípio de que mais calor promove maior evaporação que, por ser um ar mais quente, fica em níveis mais baixos da atmosfera. Dessa maneira, há a absorção de radiação infravermelha que favorece o aumento de temperatura, que faz o ciclo se reiniciar.
E, sendo o vapor d’água um produto de diversas atividades, é possível ver que quanto maior o descuido com o aquecimento global, mais ele se desenvolverá, trazendo mais impacto para a vida da sociedade. Por isso, é de extrema importância que a emissão de gases de efeito estufa seja um ponto de cuidado e atenção por todas as empresas, instituições, governos e toda a população.

Em resumo, a emissão de GEEs pode ser encontrada nos mais diversos setores da indústria e serviços e deve ser cuidada. Identificou o seu negócio em algum desses pontos? Fala com a Fluxo que a gente resolve o seu problema!





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